A Reforma Tributária (Emenda Constitucional nº 132/2023) não é mais um projeto para o futuro; ela começa a impactar o caixa e as operações da sua empresa agora, em 2026. Este guia definitivo foi criado para que empresários de Santa Catarina entendam exatamente o que muda, como o IVA Dual funciona na prática e quais passos tomar para proteger a margem de lucro.
Como a Reforma Tributária afeta as empresas a partir de 2026?
A partir de 2026, inicia-se a cobrança do IBS (estadual/municipal) com alíquota de 0,1% e da CBS (federal) com 0,9%. Esses impostos substituirão gradativamente o ICMS, ISS, PIS, COFINS e IPI até 2033. As empresas precisarão adaptar seus ERPs para emitir notas fiscais com os novos tributos, conviver com obrigações acessórias duplas (sistema antigo + novo) e se preparar para o Split Payment, onde o imposto será recolhido automaticamente pelo banco no momento do recebimento da fatura.
1. O Fim da Complexidade: O que é o IVA Dual?
O Brasil abandona o caótico sistema de impostos em cascata para adotar o Imposto sobre Valor Agregado (IVA), padrão em mais de 170 países. O nosso IVA será "Dual", ou seja, dividido em duas frentes:
- CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços): Substitui os tributos federais PIS, COFINS e IPI.
- IBS (Imposto sobre Bens e Serviços): Substitui os tributos estaduais e municipais ICMS e ISS.
Além deles, surge o Imposto Seletivo (IS), apelidado de "imposto do pecado", que sobretaxará produtos prejudiciais à saúde e ao meio ambiente.
2. Os 4 Pilares da Nova Tributação (2026)
Para entender o impacto prático na sua empresa, você precisa dominar estes quatro conceitos fundamentais:
Não-Cumulatividade Plena
Diferente do sistema atual (onde há muitas restrições de crédito), no IVA Dual, quase tudo o que a empresa adquire (insumos, energia, serviços) gera crédito tributário para abater do imposto a pagar na venda.
Cobrança no Destino
O imposto deixa de ficar no estado/município de origem (onde a empresa está) e passa a ser devido ao estado/município de destino (onde o consumidor está). Fim da guerra fiscal entre estados.
Alíquota Única (com exceções)
A regra geral é uma alíquota única de referência (estimada em 26,5% a 27,9%). Haverá reduções de 30%, 60% ou isenção total apenas para setores específicos (saúde, educação, cesta básica, etc.).
Split Payment (Pagamento Dividido)
O imposto será separado do valor da mercadoria/serviço no momento do pagamento eletrônico (PIX, cartão). O banco enviará o imposto direto para o governo, impactando o fluxo de caixa da empresa.
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Agendar Diagnóstico Tributário3. O Cronograma de Transição: O Que Acontece a Cada Ano?
A transição será gradual para não causar choques econômicos:
- 2026 (O Início): Fase de teste. Cobrança de 0,9% de CBS e 0,1% de IBS. Esses valores poderão ser abatidos do PIS/COFINS devidos. O objetivo é testar os sistemas.
- 2027: A CBS entra em vigor integralmente. PIS e COFINS são extintos. O IPI é reduzido a zero (exceto para produtos da Zona Franca de Manaus).
- 2028 a 2032: Transição gradual do ICMS e ISS para o IBS. A cada ano, as alíquotas dos impostos antigos caem, e a do IBS sobe proporcionalmente.
- 2033: Fim da transição. O sistema antigo (ICMS/ISS/PIS/COFINS) é totalmente extinto. O IVA Dual vigora 100%.
4. Impactos por Setor em Santa Catarina
A Reforma Tributária não afeta todas as empresas da mesma forma. A mudança de eixo da origem para o destino e a não-cumulatividade plena geram vencedores e perdedores iniciais (antes dos ajustes de mercado):
- Indústria (Vencedora): A indústria catarinense, que possui cadeias produtivas longas, será amplamente beneficiada. Hoje, muito imposto fica "preso" na cadeia (cumulatividade). Com o IVA, a indústria terá crédito amplo sobre quase tudo o que adquire, desonerando a produção e as exportações.
- Comércio: Impacto neutro a positivo. A simplificação de não ter que lidar com dezenas de legislações estaduais de ICMS e substituição tributária reduzirá drasticamente o "Custo Brasil" e os gastos com conformidade (compliance).
- Serviços (Atenção Máxima): Empresas de serviços (TI, consultorias, clínicas) que hoje pagam entre 2% e 5% de ISS e têm poucos insumos para gerar crédito, poderão ver sua alíquota efetiva subir consideravelmente. Será vital repassar esse custo ao preço final de forma estratégica.
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FALAR COM ESPECIALISTA5. Tabela Comparativa: Sistema Atual vs IVA Dual 2026
Para visualizar o impacto real na sua empresa, compare os dois sistemas lado a lado:
6. Impacto por Regime Tributário: Quem Ganha e Quem Perde?
A Reforma Tributária não afeta todos os regimes da mesma forma. Veja o impacto específico para cada tipo de empresa:
POSITIVO
Empresas com muitos insumos e cadeia produtiva longa serão as grandes beneficiadas. A não-cumulatividade plena do IVA Dual elimina o imposto em cascata. Indústrias, distribuidoras e exportadoras terão redução efetiva de carga tributária.
NEUTRO/ATENÇÃO
Empresas de serviços no Lucro Presumido hoje pagam ISS (2-5%) + PIS/COFINS (~3,65%). Com o IVA Dual, a alíquota nominal sobe para ~26,5%, mas os créditos sobre insumos e serviços contratados podem reduzir a carga efetiva. O diagnóstico caso a caso é fundamental.
POSITIVO
Empresas que vendem diretamente ao consumidor final (B2C) não sofrem pressão de crédito. O cliente pessoa física não toma crédito tributário, então a opção de ficar no Simples Puro é vantajosa e mais simples.
ATENÇÃO MÁXIMA
Este é o grupo mais vulnerável. Empresas B2B no Simples que vendem para outras empresas verão seus clientes exigir desconto no preço (já que o crédito que podem tomar é menor). A migração para o regime híbrido ou para o Lucro Presumido pode ser necessária.
7. O Split Payment: O Maior Impacto no Fluxo de Caixa
O Split Payment é a mudança que mais impactará o dia a dia financeiro das empresas. Hoje, a empresa recebe o valor total da venda e recolhe o imposto no mês seguinte (ou trimestral). Com o Split Payment, o banco separará automaticamente o valor do imposto no momento do recebimento via PIX ou cartão.
Exemplo Prático — Empresa de Serviços em Jaraguá do Sul:
Hoje (sem Split Payment)
Nota fiscal emitida: R$ 100.000
Empresa recebe: R$ 100.000
Imposto recolhido: no mês seguinte
Capital de giro disponível: R$ 100.000
2027+ (com Split Payment)
Nota fiscal emitida: R$ 100.000
Banco retém imposto: ~R$ 26.500
Empresa recebe: R$ 73.500
Capital de giro disponível: R$ 73.500
Redução imediata de ~26,5% no capital de giro disponível. Contratos de longo prazo precisam ser revisados.
8. Checklist: O Que Fazer Agora para Preparar sua Empresa
As empresas que se prepararem antes da implementação completa terão vantagem competitiva. Siga este checklist:
Fazer um Diagnóstico Tributário: simular a carga efetiva no IVA Dual com base nos dados reais da empresa
Revisar a precificação: calcular se os preços atuais absorvem a nova carga ou se precisam ser reajustados
Atualizar contratos de longo prazo: incluir cláusula de reajuste tributário para contratos plurianuais
Avaliar o regime tributário: verificar se o Simples Nacional ainda é vantajoso para o perfil B2B da empresa
Preparar o ERP/sistema de gestão: garantir que o software emite notas com CBS e IBS a partir de 2026
Planejar o capital de giro: antecipar o impacto do Split Payment no fluxo de caixa a partir de 2027
Treinar a equipe financeira: entender os novos conceitos de crédito tributário do IVA Dual
9. Perguntas Frequentes — Reforma Tributária 2026
A Reforma Tributária já está em vigor em 2026?
Parcialmente. Em 2026, inicia-se a fase de testes com CBS (0,9%) e IBS (0,1%). A implementação completa ocorre entre 2027 e 2033. O sistema antigo (ICMS/ISS/PIS/COFINS) coexiste com o novo durante a transição.
Minha empresa vai pagar mais ou menos imposto?
Depende do setor e do regime tributário. Indústrias e empresas com muitos insumos tendem a pagar menos. Prestadores de serviços com poucos insumos podem pagar mais. Um diagnóstico tributário individualizado é essencial para responder com precisão.
O que é o Split Payment e quando começa?
O Split Payment é o mecanismo pelo qual o banco retém automaticamente o valor do imposto no momento do pagamento eletrônico. Está previsto para implementação gradual a partir de 2027, com piloto em 2026.
O Simples Nacional vai acabar?
Não. O Simples Nacional continua existindo. Porém, empresas B2B no Simples precisarão avaliar se a opção pelo regime híbrido (IBS/CBS pelo regime normal) é mais vantajosa para manter a competitividade com clientes que precisam de crédito integral.
Preciso trocar meu sistema de gestão (ERP)?
Provavelmente sim, ou precisará de atualização. O ERP precisará emitir notas fiscais com os campos de CBS e IBS separados, calcular créditos tributários pelo novo sistema e gerar as obrigações acessórias do IVA Dual. Verifique com seu fornecedor de software.
10. E o Simples Nacional?
As empresas do Simples Nacional terão duas opções a partir de 2026:
- Ficar no Simples "Puro": Continuam pagando tudo na guia DAS. Porém, seus clientes (se forem outras empresas - B2B) só poderão tomar crédito do IBS/CBS equivalente ao que a empresa do Simples efetivamente pagou, e não a alíquota cheia.
- Regime Híbrido: Pagam INSS, IRPJ e CSLL pelo Simples, mas apuram o IBS e a CBS pelo regime normal (débito e crédito). Isso permite que seus clientes tomem o crédito integral, mantendo a competitividade no mercado B2B, mas aumenta a burocracia contábil.
Leia também:
- Fale com um especialista em reforma tributária em SC.
- Veja IBS e CBS 2026: como calcular.
- Entenda o split payment 2026 e o impacto no fluxo de caixa.
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Resumo Estratégico: Reforma Tributária 2026
- O que muda: Início da cobrança do IBS (0,9%) e CBS (0,1%) em paralelo com os impostos atuais.
- Maior desafio: Conviver com dois sistemas tributários (antigo e novo) até 2032 e adaptar o fluxo de caixa ao Split Payment.
- Setores de atenção: Prestadores de serviços (possível aumento de carga) e empresas do Simples Nacional B2B.
- Ação imediata: Simular cenários de precificação e revisar contratos de longo prazo.
Referências Legais e Normativas
Emenda Constitucional nº 132/2023 (Reforma Tributária) — Acesso ao documento
Projetos de Lei Complementar (PLP 68/2024) — Regulamentação do IBS, CBS e Imposto Seletivo.
Portal da Reforma Tributária do Ministério da Fazenda — Diretrizes e cronograma oficial.





